A CRISE DO PODER ESTATAL E A REPRODUÇÃO DO CAPITALISMO

  • Euler David de Siqueira
Palavras-chave: trabalho em serviços, crises do estado capitalista, ingovernabilidade

Resumo

Nas sociedades capitalistas avançadas, classificadas por Claus Offe como tardo-capitalistas ou de capitalismo tardio, verifica-se uma contradição estrutural entre as lógicas voltadas à valorização do capital e aos processos do sistema político-administrativo. O crescimento continuado das taxas de trabalho em serviços, trabalho produtor de valores de uso ou trabalho concreto, classificado usualmente como trabalho improdutivo de mais-valia nas sociedades capitalistas avançadas, de acordo com Claus Offe, se torna cada vez mais uma condição estrutural para que uma parte da força de trabalho possa ser convertida à produção de valores de troca/trabalho abstrato ou à forma social mercadoria. Segundo a análise offeana do crescimento dos sistemas político-administrativos das sociedades de capitalismo tardio, ao organizar uma parte da força de trabalho marginalmente ao trabalho assalariado, é preciso que uma parte dela não esteja submetida às relações de troca capitalistas. Nesse sentido, para que o processo ou a lógica da valorização do capital possa seguir sem percalços, torna-se imperioso recolher do mercado, de maneira administrativa, parte da força de trabalho das relações de troca capitalista voltadas à forma social mercadoria. Em poucas palavras, na conversão do trabalho concreto em trabalho abstrato, verifica-se uma tendência ao processo de desmercantilização de parte da força de trabalho social. Tal contradição entre as duas lógicas, produtoras de valor de uso e de valor de troca, são insuperáveis, na perspectiva analítica de Offe, justamente pelo fato de tal contradição estar para além das consciências e das intenções dos agentes capitalistas individuais, assim como da coordenação desse processo.
Publicado
18-04-2011
Seção
Artigos